Dra. Gabriela Graciano – Psiquiatra Brasilia http://www.psiquiatrabrasilia.com.br Tue, 18 Dec 2018 18:12:41 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=5.0.21 Depressão na Gravidez e Pós-Parto: Tudo que você precisa saber http://www.psiquiatrabrasilia.com.br/depressao-na-gravidez-e-pos-parto-tudo-que-voce-precisa-saber/ http://www.psiquiatrabrasilia.com.br/depressao-na-gravidez-e-pos-parto-tudo-que-voce-precisa-saber/#respond Tue, 29 Apr 2014 19:09:07 +0000 http://www.psiquiatrabrasilia.com.br/?p=1243 Autora:  Dra. Gabriela Graciano Dias, Médica Psiquiatra.

A gestação é um momento muito especial no ciclo de vida da mulher. Esse período traz consigo diversas alterações físicas, hormonais, psíquicas e sociais, que refletem diretamente na saúde mental feminina.

Nessa fase, é comum o aumento da ansiedade e o surgimento de questões que envolvem a representação da gestante como mãe e mulher, fantasias a respeito do filho e do seu futuro, antecipações das dificuldades profissionais e no relacionamento com o marido, além do medo da própria morte e/ou do bebê no parto.

Expor esses sentimentos e preocupações para a família e para os profissionais de saúde ajuda a esclarecer as dúvidas e a promover uma gravidez mais feliz e saudável.

Conhecer os transtornos psiquiátricos que podem ocorrer nesse período faz com que eles possam ser mais facilmente identificados e manejados de forma adequada pelo obstetra e pelo psiquiatra.

Depressão Materna na Gestação

É uma condição que acomete 16% das gestantes. 70% delas têm sintomas depressivos confundidos com sintomas gestacionais, dificultando o diagnóstico. 68% das mulheres em tratamento para Depressão apresentam recaída caso interrompam o uso da medicação durante a gravidez e 25% delas, mesmo com a manutenção do tratamento, podem recair durante a gestação.

Os principais fatores de risco para o desenvolvimento da depressão na gravidez são: suporte social reduzido, uso de álcool, cigarro e outras drogas, baixo nível socioeconômico e social, gestação indesejada ou não planejada e transtorno psiquiátrico prévio.

As consequências desse transtorno incluem, entre outros, maior risco de complicações na gestação, no parto e no puerpério, restrição do crescimento fetal, baixo peso ao nascer, dificuldades de sono e alimentação no bebê, maior risco de suicídio e distúrbios de conduta no futuro.

Os casos mais leves podem ser manejados apenas com psicoterapia, enquanto os casos moderados e graves requerem também o uso de medicamentos antidepressivos. A eletroconvulsoterapia (ECT) pode ser uma opção nos casos extremos.

Baby Blues, Tristeza Puerperal ou Disforia Puerperal

Ocorre em 50 a 85% nas mulheres no período puerperal* e caracteriza-se por ser transitório, com início nos primeiros dias após o parto, com remissão espontânea em até duas semanas.

Sintomas depressivos leves, incluindo instabilidade de humor, irritabilidade, choro fácil, fadiga, sensibilidade excessiva à rejeição e comportamento hostil com os familiares são os sintomas mais comuns. Está relacionado às rápidas alterações hormonais no período, ao estresse do parto e da responsabilidade trazida pela maternidade.

O manejo inclui suporte emocional e auxílio nos cuidados com o bebê.

Depressão Pós-Parto

Ocorre em 10 a 15% das mães no período pós-parto. Tem início nas primeiras quatro semanas após o nascimento do bebê e se caracteriza por sintomas depressivos comuns (tristeza, choro fácil, desânimo, fadiga, redução da libido, alteração do sono e do apetite, prejuízo da memória e da concentração, irritabilidade, sentimentos de culpa), além de ansiedade, medo de ficar sozinha com o bebê e atitudes que variam do desinteresse pela criança (inclusive recusa em amamentar) até a preocupação excessiva com o filho.

Mulheres com transtornos de ansiedade e depressão durante a gestação, história de depressão pós-parto em gestações anteriores e história pessoal ou familiar de transtorno de humor têm maior risco de desenvolver a Depressão Pós-Parto.

O tratamento, em geral, inclui psicoterapia e o uso de medicamentos antidepressivos.

Psicose Puerperal

Geralmente tem início nas duas primeiras semanas após o parto e pode surgir abruptamente ou na vigência de transtornos de humor. Nesses casos, a mulher apresenta comportamento desorganizado, delírios e alucinações envolvendo o bebê (ex: vozes que mandam matá-lo), o que aumenta o risco de suicídio e infanticídio.

Muitas vezes, torna-se necessária a restrição do contato entre mãe e bebê e a amamentação pode ser contraindicada.

O tratamento inclui o uso de medicações anti-psicóticas e, em alguns casos, antidepressivos.

*Puerpério é o período pós-parto. Tem início logo após o nascimento do bebê, mas sua duração não é bem definida. Pode variar de oito semanas a um ano, dependendo da referência bibliográfica considerada

Dra. Gabriela Graciano Dias (CRM 17.120)

 

Fontes e Bibliografia:

  1. O Ciclo da Vida Humana – Uma Perspectiva Psicodinâmica – Cláudio L. Eizirik, Ana Margareth S. (orgs.) Bassols  Ed. Artmed.
  2. Transtornos psiquiátricos na gestação e no puerpério: classificação, diagnóstico e tratamento. Revistra de Psiuiatria  Clínica. Camacho, R.S. et al. Vol. 33 (2); 92-102, 2006.
  3. Compêndio de Psiquiatria – Kaplan e Sadock. Ed. Artmed.

 

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Insônia e outros distúrbios do sono http://www.psiquiatrabrasilia.com.br/insonia-e-outros-disturbios-do-sono/ http://www.psiquiatrabrasilia.com.br/insonia-e-outros-disturbios-do-sono/#respond Fri, 28 Feb 2014 16:58:02 +0000 http://www.psiquiatrabrasilia.com.br/?p=1233 Autora:  Dra. Gabriela Graciano Dias, Médica Psiquiatra

O estresse da vida moderna tem feito com que as pessoas durmam cada vez menos e os distúrbios do sono têm se tornado uma queixa frequente nos consultórios psiquiátricos.

Eles são classificados, de acordo com a Classificação Internacional dos Distúrbios do Sono (CIDS-2), em:

I. Insônias

II. Distúrbios Respiratórios relacionados ao Sono

Ex: Apneia Obstrutiva do Sono

III. Hiperssonias de Origem Central

Ex: Narcolepsia

IV. Distúrbios do Ritmo Circadiano do Sono

Ex: Jet Lag, Trabalho de Turno

V. Parassonias

Ex: Sonambulismo, Terror Noturno

VI. Distúrbios do Movimento relacionados ao sono

Ex: Síndrome das Pernas Inquietas, Bruxismo relacionado ao sono

VII. Sintomas Isolados, variantes aparentemente normais e de importância não resolvida

Ex: Ronco

VIII. Outros Distúrbios do Sono

Insônia

A insônia pode ser definida como um transtorno caracterizado por dificuldade de iniciar ou manter o sono, despertar precoce ou sono de má qualidade e cronicamente não reparador, resultando em sintomas diurnos, físicos e emocionais, com impacto negativo no funcionamento social e cognitivo do indivíduo.

Os sintomas ocorrem mesmo em vigência de condições adequadas para o sono e os pacientes apresentam pelo menos um dos seguintes sintomas diurnos: fadiga, déficit de atenção, concentração e memória; disfunção sexual, profissional e acadêmica; irritabilidade, sonolência excessiva diurna; falta de motivação e energia; propensão a erros; acidentes no trabalho ou na condução de veículos; cefaleias, tensão e sintomas gastrointestinais; preocupação com o sono.

A privação ou redução do tempo de sono trazem diversos prejuízos ao organismo: alterações do humor, irritabilidade e impaciência, comprometimento da memória e concentração, aumento da liberação de hormônios relacionados ao estresse (Cortisol) contribuindo para o desenvolvimento de hipertensão arterial e outras doenças cardiovasculares, gastrintestinais e pulmonares, além de ansiedade e envelhecimento precoce.

Por isso, é fundamental que os pacientes insones sejam diagnosticados e adequadamente tratados!

Na avaliação da insônia são importantes:

• a identificação de quando e como os sintomas iniciaram e se houve algum fator associado ao início da mesma

• a determinação do curso dos sintomas e os tratamentos já realizados

• a investigação dos hábitos diurnos e noturnos do indivíduo, das condições do quarto e da suspeita de doenças sistêmicas associadas

• o emprego do diário do sono e, em alguns casos, a realização da polissonografia.

 Tratamento

O tratamento da insônia pode ser medicamentoso e/ou comportamental. Os resultados mais satisfatórios ocorrem com a combinação dessas duas modalidades terapêuticas.

Em geral, os medicamentos mais utilizados são os hipnóticos, antidepressivos sedativos, antipsicóticos em baixa dosagem e os benzodiazepínicos (cujo uso crônico não é recomendado, em longo prazo, para essa finalidade).

O tratamento não farmacológico engloba a terapia cognitivo comportamental (TCC), técnicas de relaxamento e medidas de higiene do sono.

 Insônia e Transtornos mentais

A insônia é uma comorbidade em cerca de 90 a 93% dos casos de transtornos mentais graves. Ela tem grande impacto nos resultados do tratamento dessas condições e representa risco de recaída e recorrência.

Em muitos casos, a intensidade dos sintomas do distúrbio do sono é maior que a dos sintomas do transtorno mental subjacente e isso pode fazer com que o paciente procure o médico devido aos problemas de sono e não por causa dos sintomas de depressão ou ansiedade, por exemplo.

Cerca de 25 a 45% dos pacientes com algum transtorno de ansiedade apresentam queixas de insônia grave.

Existe também uma alta associação entre depressão e insônia. Esta é uma queixa residual persistente nos indivíduos deprimidos e um sintoma preditor de recorrência da depressão.

A associação clínica entre insônia e fibromialgia também é frequente. O prejuízo na qualidade do sono relaciona-se de forma recíproca com a dor, podendo ser causa, consequência ou fator perpetuador da condição dolorosa.

Orientações sobre Higiene do Sono

1. Estabeleça horários regulares de sono: tente dormir e acordar todos os dias no mesmo horário, inclusive nos feriados e finais de semana;

2. Não vá para a cama sem sono para tentar dormir. Vá para a cama apenas quando estiver com sono, independente do horário em que isso ocorra;

3. Não passe o dia preocupando-se com a hora de dormir;

4. Não fique controlando o passar das horas no relógio;

5. Evite o uso de estimulantes, principalmente nos períodos vespertino e noturno (café, coca-cola, chá mate, chá preto, chá verde, chocolate, cigarro, energéticos);

6. Evite o consumo de bebidas alcoólicas e outras drogas;

7. Não cochile durante o dia;

8. Procure fazer refeições leves e no máximo até duas horas antes de dormir. Evite a ingestão de grandes volumes de líquidos antes de ir para a cama;

9. Realize atividades físicas regulares e preferencialmente durante o dia (evite praticá-las próximo da hora de dormir);

10. Evite atividades estimulantes à noite, como o uso de computadores, televisão, leitura, etc. (Apenas para poucos insones a TV e a leitura podem estimular o sono);

11. Evite qualquer comportamento diferente de dormir ou fazer sexo no quarto/cama (não se alimentar, ler, estudar, trabalhar, assistir tv ou usar o computador na cama/quarto);

12. Certifique-se do conforto de seu quarto e da qualidade de seu colchão e travesseiro. Mantenha seu quarto limpo, organizado, arejado, silencioso e com pouca luz;

13. Avalie periodicamente sua saúde (roncopatia, apneia do sono, refluxo gastroesofágico, dores em geral, depressão e ansiedade podem prejudicar o sono);

14. Mantenha uma agenda de preocupações, onde possa anotar diariamente, antes de sentir sono, suas preocupações e pendências;

15. Algumas pessoas naturalmente dormem menos que outras! Isto não significa ter insônia.

16. Não crie expectativas irreais e imediatistas em relação ao tratamento. Não existem medicações milagrosas e o sucesso do tratamento depende, sobretudo, de você!

Para maiores informações, consulte um psiquiatra.

 Referências:

Associação Brasileira do Sono – www.absono.com.br

III Consenso Brasileiro de Insônia – 2013

Diretrizes para o diagnóstico e tratamento da Insônia

Classificação Internacional dos Distúrbios do Sono (CIDS)

 

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